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De quem é a culpa?
Quem é o culpado das faltas dos deputados? É o Presidente da Assembleia da República. Só pode ser ele. Sem dúvida! Da mesma forma que os professores são responsabilizados pelas faltas dos alunos.
Mesmo no ensino superior, há escolas onde os responsáveis de cursos fazem as médias de aprovações em relação ao número de alunos inscritos na cadeira e não em relação aos que realmente frequentam as aulas, os testes e os exames, culpabilizando os respectivos docentes pelas baixas médias assim obtidas. Ou seja, é considerado que os alunos não vão às aulas porque o professor não é suficientemente atractivo para cativar os alunos para as suas aulas. O professor é responsabilizado por não dar aprovação a alunos que nunca puseram um dedinho do pé na sala de aulas, muito menos nos testes ou exames. Deveria aprovar mesmo aqueles que nunca viu nem de perto nem de longe.
Então, seguindo a mesma lógica, também o dirigente da Assembleia da República é culpado porque não consegue tornar as sessões suficientemente interessantes para prender os deputados na sala. Devia ... sei lá... fazer uma palhaçadas, dar uns rebuçados... Dinheiro? Prémio de presença já têm, não é? Portanto, não chega.
Aquilo deve ser mesmo muito desinteressante... uma pasmaceira. Têm de votar todos conforme as ordens dos líderes dos respectivos partidos. Nem é preciso pensar! Por isso, aquelas longas horas sentados, fechados na sala, deve ser mesmo uma enorme seca.
Eu sou o que sou porque fiz exames
Ver O-B-R-I-G-A-T-O-R-I-A-M-E-N-T-E !!!! Vale a pena visualizar até ao fim o longo vídeo da rtp2 de 26/11/2008.
Não percam! É SOBERBO.................
Aqui temos a opinião de três pessoas sobre o estado do nosso ensino. Trata-se de Nuno Crato, Veiga Simão e Filomena Mónica, entrevistados por Maria Elisa. Eu não podia estar mais de acordo com a análise que eles fazem. Veiga Simão diz que é o é, pela exigência por que passou na sua vida académica, porque fez exames. Nuno Crato relembra que as pessoas trabalham por objectivos logo, se um aluno sabe que está automaticamente passado e não tem exames, não tem incentivos para estudar. Nuno Crato diz que é de todo impossível em qualquer sítio do mundo, seja com que reforma for, que a média das notas em matemática suba 6 valores em 2 anos. As evoluções são sempre muito mais lentas. Este aparente sucesso não é credível. Filomena Mónica diz que já não vale a pena ir à escola, pois os exames são tão fáceis, que os alunos não precisam aprender nada e basta auto-proporem-se a exame.
Mais não digo. Vejam!
Foi engraçado ver a Maria Elisa falar na nossa professora de francês Aliete Galhoz... Revi por momentos a Elisa de frondosos cabelos castanhos, numa carteira perto da minha, na sala da nossa turma B do Liceu Filipa. Nós de bata branca com um emblema verde em forma de losango, preso à bata por molas. Não mudar de cor nesse emblema, era sinal de que não chumbámos de ano. Era um ponto de honra conservar o mesmo emblema. Claro que para nós isso não foi problema. E a professora de história, quase ninguém gostava dela porque era muito exigente e parca nas notas. Mas eu gostava do entusiasmo com que ela falava. Fez-me gostar de história. E a professora de matemática que de bata branca e ponteiro na mão, quase caía do estrado “Ai meninas que lá vou eu...” tal era o ardor que dava às suas exposições.
E também gostei de rever Veiga Simão. Lembrei-me de algures no início dos anos 70, antes do 25 de Abril, era ele ministro da educação e um grupo de alunos e professores da Faculdade de Ciências, marcou uma audiência e foi recebido por ele. Lembro-me de no grupo estarem os professores Guerreiro e Tiago de Oliveira. Nós, alunos do curso de Matemática, pretendíamos trocar a cadeira de Astronomia por uma cadeira de Equações Diferenciais, muito mais importante para o nosso curso. Olhar para as estrelas em aulas à meia-noite, não era a nossa prioridade, embora tivesse o seu interesse. O Tim-Tim que nos perdoasse...Tínhamos o apoio de vários professores e tinha chegado ao Departamento um professor de Coimbra, especialista em Equações Diferenciais. Pois a audiência com o ministro Veiga Simão foi muito rápida e correu lindamente. Ele ouviu-nos e depois perguntou se tínhamos todos os meios humanos e logísticos para a mudança. Como nós dissemos que sim, que estava já tudo pensado e planeado, ele concordou logo com a mudança de cadeiras proposta por nós. Simples e eficaz. Que bom seria se a relação entre ministério, professores e alunos fosse sempre assim tão cordata e cooperante.
Fazer mal é preferível a não fazer nada?
Há quem diga com toda a convicção, que apesar deste modelo de avaliação de professores que está a ser imposto pelo ME, ter muitos defeitos, é preferível a não fazer nada. Que é melhor ter um mau sistema que não ter nenhum. Será???? Classificar MAL um professor é melhor que não o classificar??? Vejamos a situação duma pessoa que dedicou toda a sua vida ao ensino, com entusiasmo e devoção, que é professor porque gosta de ENSINAR, que consegue que os seus alunos entrem e sejam bem sucedidos em boas universidades e ao fim de 35 anos de carreira se vê ultrapassado, na passagem a titular, por um estreante que até nem gosta muito de ensinar, mas o que gosta mesmo é de mandar nos outros e por isso aceitou uns cargozitos de gestão na escola. É este estreante um paradigma de bom professor??? É melhor que o outro, que nos últimos 7 anos privilegiou o Ensino aos cargos de gestão? Não é!!! Da mesma maneira, também é errado dar uma classificação de Excelente a um mau professor. Se ele comprar o portefólio (vendem-se no Chile), se tiver muita paciência para preencher as montanhas de papeladas, se ele não ensinar nada mas inflacionar as notas que dá aos alunos, pode ficar com uma boa classificação e ser um péssimo professor. Nem sempre fazer alguma coisa (mesmo mal) é preferível a não fazer nada.
Vejamos alguns exemplos:
Um batom mal desenhado é preferível a nenhum batom???
Um eyeliner grotesco é preferível a nenhum?
Um mau trabalho na prótese dentária é preferível a nenhum?
Um penteado estapafúrdio é preferível a nenhum?
Um mau trabalho na lavandaria (por mais nódoas do que as que tira) é preferível a nenhum?
Um mau trabalho de cirurgia estética é preferível a nenhum?
Há mais modelos de avaliação, além deste, importado do Chile. Não é verdade que não querer este, equivale a não querer nenhum.
Nem é preciso inventar nada. Há os modelos usados aqui na Europa. Veja-se como é a avaliação na Finlândia, por exemplo. Na Bélgica, em França, etc...
Não defendo que o bom é "não fazer nada". Defendo que se deve procurar COM CALMA, com a colaboração dos interessados, sensatamente, ouvindo todos, sobretudo os que estão no terreno e aqueles que nos outros países já passaram pelo mesmo, construir um modelo bem pensado e exequível, que privilegie a missão fundamentar dum professor: ENSINAR, já que se apregoa que se está a fazer isto tudo a bem do ensino. Estará?
Este governo passará, mas a escola pública, os alunos e os professores ficarão. Por favor, não destruam tudo à vossa passagem! Esqueçam os resultados imediatos, as estatísticas, as eleições de 2009. Pensem antes em deixar as sementes para construir um futuro melhor, mesmo que esses frutos demorem mais um pouco.
Quanto custa esta avaliação no Chile?
"Entre 200.000 y 500.000 pesos costaría acceder a un portafolio completo de la evaluación docente en el mercado negro, una práctica que se está convirtiendo en un lucrativo negocio en la región del Bio Bio."
Ora 200.000 a 500.000 pesos são, qualquer coisa entre 244 e 366 euros. Os actuais professores que ainda tiveram matemática à moda antiga em vez de "aulas" de entretenimento, talvez consigam fazer as contas... Isto fica muito mais barato que pedir a aposentação antecipada, dadas as graves penalizações por não ter ainda 65 anos.
Ganda modelo, este do Chile!!!
Do Chile, para mim, só a pescada congelada nº 5. Essa sim, é boa e recomendo!
“Quando se dá uma bolacha a um rato, a seguir ele quer logo um copo de leite”
Por muito errado que seja ESTE modelo de avaliação, não há qualquer intenção, da parte deste ministério, de o modificar/melhorar.
Fazer um modelo de avaliação JUSTO, CORRECTO e que realmente AVALIE e distinga os melhores, é “DAR(?) uma bolacha” !!!
Quanto aos “ratos”... nem me pronuncio...
Claro que não se deve dar bolachas aos ratos. Muito menos um copo de leite... Quanto aos professores claro que não se lhes pode "dar" uma avaliação justa, senão iam logo a seguir pedir que os deixassem ensinar mesmo, que isto de ser entertainers não é bem a sua vocação.
Desavaliação é pior que não avaliação.
Fingir que se faz avaliação, quer aos alunos com provas escandalosamente fáceis, quer aos docentes com provas de resistência para aguentar montanhas de reuniões inúteis e preencher toneladas de papeis, só serve para enganar os papalvos.
Estas provas de resistência lembram-me o filme "Os cavalos também se abatem". Ganha quem tiver mais resistência, não quem dançar melhor.
Estes dirigentes consideram-nos todos burros.
Andam a fingir que fazem avaliações.
Poupavam mais dinheiro se dissessem claramente que todo e qualquer aluno que se inscrevesse estava automaticamente aprovado.
Quanto aos professores, poupavam também muito dinheiro e tempo se lançassem uma moeda ao ar para decidir quais os docentes que acedem a uma categoria superior e quais ficam na categoria inferior.
Seria muito mais honesto, claro e transparente das verdadeiras intenções deste governo: poupar nos custos do ensino público, para ter dinheiro para mais obras de betão.
Não à destruição do ensino, ao experimentalismo pedagógico e didáctico, à desavaliação dos alunos, à burocratização, domesticação e... difamação da função docente.
É a política espectáculo.
Em tempo de crise, de desemprego generalizado, o melhor show é a submissão dos que precisam dos euros, às maiores tropelias, para gáudio dos espectadores.
Ovação
Yes! Yes! Yes!
Hoje um grande passo foi dado pela humanidade. Uma raça que foi vítima de escravatura e vergonhosamente comercializada dá a volta por cima e é a esperança de salvação de todos, incluindo dos que foram seus carrascos. Liberta-se a si próprio e também aos que os escravizaram. Mostra a força intrínseca latente que estava pronta a ser usada, apenas aguardando uma oportunidade.
“New schools to be built...” – é bem diferente da sombria realidade de ver aqui escolas e hospitais a fechar e o nível do ensino a diminuir.
Long live the hope!
Ah! E não esquecer:
"Hoje é um grande dia para as moscas da fruta, que agora poderão ser estudadas como merecem". (Ricardo Araújo Pereira na TSF) (daqui)
Omelete luso-britânica
Esta é a primeira grande omelete luso-britânica: uma omelete totalmente concebida e produzida em Portugal, por mim, que a fiz hoje na Bimby, para o meu singelo almoço. Apesar da ideia ser da Revista Bimby nº 4, os ovos e os legumes seram portugueses e as fatias de Paio serem de York, segundo o exemplo que nos vem de cima, posso dizer que é um produto concebido por mim. Também pode ser consumida por pessoas dos 7 aos 77 anos... e é de muito baixo custo ... Bem, só ainda não experimentei atirar a omelete ao chão... Por acaso a Bimby é de origem alemã, mas isso agora não interessa nada. Meros detalhes... A esta omelete só falta mesmo uma campanha publicitária à altura feita pelo "garoto propaganda", como lhe chamam os brasileiros.
Fontes não identificadas sugerem que "se deu um evolução genética na população portuguesa que permitiu estes resultados fabulosos"...
Afinal, se "o grande objectivo da avaliação e do novo ECD é melhorar os resultados e promover a qualidade do ensino" os resultados fizeram-se sentir ANTES destas últimas medidas do ME. Milagre!!!
Ai de quem não se chama Lurdes e se recusa terminantemente a produzir "milagres" destes! É logo decapitado por um qualquer prof. coordenador de aviário!
Pra mim tanto faz
Para mim tanto me faz Que digas coisas boas ou coisas más Ou mesmo que inventes Algo que eu nunca fui Yeeeee... Pra mim tanto me faz
Sabedorias
"Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo com elas... "
"O cão não ladra por valentia, mas sim por medo"
"Se parares cada vez que ouvires o latir de um cão, nunca chegarás ao fim do caminho."
"O bambu que se curva é mais forte que o carvalho que resiste."
"Hastes de trigo, cheias de grãos, aprendem a curvar a cabeça."
Cenários de guerra
Conheço alguns que, apesar de tudo, estão muito tristes por não terem sido destacados para um "cenário de guerra" destes.
Ser investigador
"Ser investigador é um dever de todo o cidadão consciente das suas responsabilidades perante a sociedade, porque ser investigador é adoptar uma atitude crítica, perante a vida e o conhecimento, para chegar a novas conclusões. Mas é claro que para investigar, em certos capítulos da ciência, é necessária uma preparação especial, um longo treino, uma escola. As Universidades têm, sob este aspecto, um papel importante a desempenhar, mas para isso é necessário que o ensino não vise exclusivamente a transmissão de conhecimentos, isto é, que ele não seja um ensino erudito e portanto estéril e infecundo. Existem, na realidade, investigadores sem qualidades para o ensino; mas nenhum professor poderá iluminar as suas lições com cores vivas e profundas se não tiver vivido os problemas que trata, se não tiver investigado na disciplina que professa." António Aniceto Monteiro: Os objectivos da Junta de Investigação Matemática.
Onde?
Recém chegada dum congresso, aqui deixo 2 imagens do sítio onde estive. Onde foi?
TStorm eram as previsões do tempo, mas a viagem já estava marcada...
Como temia, lá tivemos um furacãozito. O Gustav, nessa altura ainda recém-nascido, rondou por perto, contornou a parte sul da ilha. Mas felizmente, a nós só nos deu chuva, o que não impediu belos banhos nas cálidas e tranquilas águas. E depois da chuva veio o arco-iris.
If you're down and confused And you don't remember who you're talkin' to Concentration slip away Cause your baby is so far away. Well, there's a rose in a fisted glove And the eagle flies with the dove And if you can't be with the one you love Love the one you're with Love the one you're with Don't be angry, don't be sad, Don't sit cryin' over good things you've had, There's a girl right next to you And she's just waiting for something you do. Well, there's a rose in a fisted glove And the eagle flies with the dove And if you can't be with the one you love Love the one you're with Love the one you're with Turn your heartache right into joy She's a girl, you're a boy, Get it together make it nice Ain't gonna need anymore advice. Well, there's a rose in a fisted glove And the eagle flies with the dove And if you can't be with the one you love Love the one you're with Love the one you're with
Provo-me e saibo-me a sal
O meu sabor é diferente. Provo-me e saibo-me a sal. Não se nasce impunemente nas praias de Portugal. Na Meia-Praia uma maré vazia arrastou uma nuvem de búzios vivos, lindos, que se escondiam na areia, mal a água desaparecia.
A aposentação do Ensino
"O país das universidades na banca rota, em risco de deixarem de pagar salários e com dificuldades em garantir o arranque do ano escolar, contrasta com o discurso de incremento da investigação e aposta nas qualificações do governo. [...] Diminuíram as verbas para a investigação e caíram os montantes atribuídos às despesas gerais das universidades, devido aos cortes orçamentais.[...] Criaram-se fortes expectativas de que o seu ministério iria trazer reformas importantes ao mundo académico português e retiraria as universidades da situação de penúria em que estavam. Ao fim de três anos o mundo académico sente-se distante dos objectivos do ministro que o tutela. Muitas das reformas continuam por fazer e não se sabe qual a direcção que o ministério quer dar. Os académicos não participam nas decisões. As universidades continuam a não saber, de forma clara, com o que podem contar. Todos os anos há novos cortes e novos truques para cortar ainda mais. A situação de ruptura em que já se encontrava o ensino superior foi apenas agravada. [...] No corrente ano, com o forte desvio de verbas para a Caixa Geral de Aposentações (CGA), as universidades ficaram ainda mais estranguladas [...]" Do Jornal de Negócios Online. Ler mais aqui.
Frases da semana
- "O que se está a fazer na Educação não é uma reforma... é uma aposentação" - Eixo do Mal, SICNotícias.
- "Esta equipa do Ministério da Educação, que baixa a fasquia para subir as estatísticas, devia estar era na Liga Portuguesa de Futebol. Aumentava o tamanho das balizas, para o futebol português passar a ter mais golos..." - José Diogo Quintela, humorista.
Desonestidade intelectual
Dizer que os "bons" resultados obtidos, este ano, pelos alunos no exame de matemática do 12º ano é consequência do P.A.M., concebido e aplicado principalmente para o Ensino Básico que está em vigor há apenas 2 anos e portanto ainda não se aplicou aos actuais alunos do 12º ano, é, quanto a mim, duma profunda desonestidade intelectual. A entrevistada parte do princípio que os telespectadores são acéfalos e mal informados. Tenta deitar areia para os olhos das pessoas. É duma mistificação tão grosseira que custa a acreditar! Quantas mais afirmações erróneas nos são impingidas e que não damos por isso?
A idade mental dum aluno do 2º ciclo é 15 meses?
Hoje lembrei-me que o meu netinho de 15 meses está afinal ao nível do que é exigido a um aluno no final do 2º ciclo. Num instante achei a respectiva foto. Ele já sabe identificar quadrados iguais!!! E mais: ele também identifica triângulos, cubos, paralelipípedos, esferas, cilindros, etc. Nem precisa de saber escrever, basta-lhe por a cruzinha. Se saber matemática é só identificar figuras geométricas iguais, então ele pode ir já direitinho para o 3º ciclo. Está aprovado! (Ver a pergunta 5 da prova de aferição de matemática do 2º ciclo de 2008.) Será que neste meu juízo me está a faltar alguma "técnica estatística"? Das duas uma: ou este menino e todos os outros desta idade, são muito precoces e inteligentes ou o nosso sistema de ensino está a menorizar e a cretinizar os jovens deste país.
"que se resolve contando pelos dedos"
Dentro de algum tempo é a isto que estaremos reduzidos: contar pelos dedos, tal é a degradação do ensino da matemática. Também para ser político não deve ser preciso muito mais... para ser engenheiro já não chega... Bem, depende...eu não estava a pensar nesse... Mas para que precisamos nós de engenheiros? Importa-se tudo. Basta apostar no sol, na praia e no golfe.
Segundo o Público de hoje, "a Associação de Professores de Matemática (APM) considerou que o exame nacional de 9.º ano da disciplina foi o "mais fácil" desde que a prova se realiza, sublinhando que algumas questões poderiam ser respondidas por alunos do 2º ciclo. Também a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) criticou o reduzido grau de dificuldade do exame, sublinhando que "a nivelação por baixo" poderá ter custos futuros "muito graves". a SPM critica, porém, que aos alunos do final do terceiro ciclo deveria "exigir-se" outro tipo de dificuldade, exemplificando com a questão 1, "que se resolve contando pelos dedos", a 3, que "pode ser facilmente resolvida por alunos do 1º ciclo", ou a 6, que "envolve percentagens tão simples que qualquer aluno do 2º ciclo deveria ser capaz de resolver". [...] "Os conhecimentos testados não estão ao nível do que se deveria esperar de um aluno no final do Ensino Básico. Não são avaliados importantes tópicos que devem ser dominados no 9º ano, como sistemas de equações, proporcionalidade inversa, polígonos e áreas de polígonos", entre outros."
Aqui pode ver-se a prova de aferição do 2º ciclo, de 2008.
Vejamos algumas das "difíceis" perguntas desta prova.
O prisma está lá desenhado, basta contar os vértices, não é preciso nenhum conhecimento matemático, nem sequer saber o que é um prisma.
Basta contar as pintas e multiplicar por 2. É este o conhecimento matemático que esta questão pretende avaliar, a multiplicação 2x2=4?
Aqui nem sequer uma multiplicação, nem sequer saber o que é um quadrilátero! É só saber o que quer dizer "iguais"!!! Isto é matemática???
Aqui o conhecimento matemático que se testa é saber que a seguir ao 2, 3 e 4 vem o 5!!!
Esta pergunta responde à questão 5, se é que alguém ainda tinha dúvidas.
Mais uma vez o que se testa aqui é o conceito de "igual". Um conceito tenebroso, pelos vistos, e eu que não sabia!
Com estes exemplos concretos de perguntas na prova de aferição do 2º ciclo, deste ano, qualquer pessoa pode avaliar a complexidade desta prova. A Sra Ministra da Educação disse que "o nível de complexidade de uma prova tem técnicas, não é uma questão de opinião, é uma questão de validação técnica, com recurso a técnicas estatísticas...". Não são precisas "técnicas estatísticas" para ver que isto é uma burla aos pais que mandam os seus filhos para a escola pública.
É este o rigor e exigência de que falava Cavaco Silva no 10 de Junho?
Admiro-me agora como é possível eu ter alunos que sabem resolver integrais... Provavelmente daqui a uns anos, vou ter de fazer testes a perguntar se um integral de linha é igual a um integral de superfície e com isso justifico que cumpri os pontos do programa relativos a estes integrais.
Mais uma vez só com as avançadíssimas "técnicas estatísticas" mencionadas pela Sra Ministra se consegue vislumbrar a complexidade dos conceitos matemáticos que esta pergunta pretende testar.